VMB acontece hoje enaltecendo demais os fãs-clubes

O Skank, maior banda dos anos 90, é o maior campeão da história do VMB

Foi-se o tempo em que o VMB e a própria MTV representavam as verdadeiras tendências da música nacional. No ano em que completa duas décadas de vida, hoje a emissora pioneira em videoclipes no Brasil é um arremedo do que já foi, e consequentemente o VMB também.

Desde que a premiação passou a ser dada integralmente de acordo com o voto popular, caiu a qualidade dos vencedores, deprestigiou-se os trabalhos criativos e verdadeiramente musicais, e foi dado lugar a banalização do prêmio, que aliás não é primazia do VMB somente.

Não por coincidência, o perfil dos artistas que frequentam o VMB mudou bastante desde 1995, ano da realização do primeiro VMB. Foi nessa festa que o público brasileiro conheceu artistas que fizeram história como Raimundos, Pato Fu, Planet Hemp, O Rappa, entre outros. Tempos esses em que as tendências tinham como origem  a própria MTV Brasil. Hoje, o VMB representa apenas o que de pior se vê na indústria musical e se contenta em acompanhar a desgraça.

Ao invés das bandas citadas acima que fizeram época nos anos 90, na noite de hoje as cadeiras do Credicard Hall estarão tomadas por pseudo-musicos e principalmente pseudo-rockeiros. Não é fácil engolir o fato de bandas infantis como NX Zero, Restart, Cine e Fresno dominarem o cenário do rock. Ao invés de críticos especializados, os jurados da vez são adolescentes e crianças que pouco se importam com o que os seus ídolos verdadeiramente dizem, até porque eles não dizem nada que preste.

Ao contrário do que fiz durante anos, estou dando de ombros para essa edição do VMB, assim como tem sido de três ou quatro anos para cá. Prefiro ficar com a minha nostalgia, que cada vez mais se torna necessária. O VMB apenas ajuda a enterrar a música e o rock nacional. Não serei testemunha deste sepultamento.

Vejam algumas apresentações históricas em VMBs passados como a do Sepultura e convidados em 2004, a do Chico Science e Nação Zumbi em parceria com o Gilberto Gil na primeira edição do prêmio em 95 e a antológica apresentação dos Racionais MC’s em 1998. Que saudades!

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