Uma grande piada. E de mal gosto. O VMB 2010 foi um festival de horrores com direito a vaias tão oportunas quanto a falta de capacidade recente da MTV em premiar a qualidade musical. Perdem todos aqueles que gostam de música e que respeitam a história dos 20 anos da MTV que não podem ser confundidos com as cenas lamentáveis vistas na última quinta no Credicard Hall em São Paulo.
O Restart conseguiu um feito histórico. Levou cinco prêmios no primeiro ano em que apreceram no cenário musical. A aberração é tão grande, que a reação do público foi automática e instantânea. As vaias não eram direcionadas só ao Restart mas também ao mercado fonográfico, às rádios, às emissoras de tv, e é claro à própria MTV. Como publicado no site de O Globo desta sexta-feira, há muito tempo a premiação mais importante da música brasileira deixou de premiar qualidade.
Na guerra dos fãs-clubes, que disputam qual deles tem mais tempo para perder votando em seus “ídolos”, o NX Zero vê o seu posto de Bola da Vez seriamente ameaçado pelo Restart. Mudam os nomes, mas essas bandas, além de Fresno e Cine representam o quanto a indústria da música está corrompida e vendida, e consequentemente o público cada vez mais pobre de opções, recorre aos Rebolations e aos Sertanejos Universitários. A nova geração trata de idolatrar o Happy Rock.
Talvez o VMB 2010 possa representar um marco. É possível que a MTV reveja alguns conceitos, pois as vaias desse ano são sim um bom aviso para a emissora paulista que perdeu completamente o rumo, sobretudo nos últimos cinco anos, em que a audiência deixou de ser qualificada.
Em pensar que no primeiro VMB, Marisa Monte deixou a premiação ovacionada como grande campeã, ver o discurso de agradecimento dos meninos do Restart soa como um ótimo filme de comédia estrelado por Adam Sandler ou Ben Stiller. Porém, a história foi contada e manchada.
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